Desafio multimodal faz pessoas verem a cidade de outra forma

30/09/2015

Semana desafia cidadãos a experimentarem e compararem diferentes formas de deslocamento

Assessoria de Imprensa Perkons

A maioria das pessoas faz seus deslocamentos diários utilizando sempre o mesmo meio de transporte. Para que as pessoas experimentem diferentes modais e possam comparar qual o mais eficiente, além de conhecer melhor o ambiente em que vivem, um grupo de ativistas promoveu a Semana Multimodal. A ideia é que durante 7 dias os participantes se desloquem como pedestre, ciclista, motorista, passageiro e compartilhem sua experiência, na página do evento, de qual é o mais eficiente, conveniente, barato ou prazeroso.

Divulgação
O desafio multimodal foi até 22 de setembro e incentivou os participantes para que durante uma semana se deslocassem de outras formas

De acordo com Hugo Leonardo Peroni, um dos organizadores do evento e fundador do grupo Desbravadores de Sampa, a ideia do desafio multimodal surgiu durante um encontro com ativistas que estimulam a mobilidade a pé – Cidade Ativa, Mobilize, Corrida Amiga e Desbravadores de Sampa. “O desafio intermodal – que compara várias formas de deslocamento realizadas ao mesmo tempo por pessoas diferentes – foi o que inspirou a Semana Multimodal. Experimentei formas diferentes de me deslocar e me surpreendi com o resultado: os modais ativos (bicicleta e caminhada) foram os mais rápidos”, afirma.

O ativista conta que, mesmo com pouca divulgação do evento, surgiram bons resultados, já que as pessoas puderam utilizar a estrutura da cidade de forma diferente do convencional. “Você torna o seu momento do deslocamento que era chato, cinza e sem conteúdo em algo criativo, fora da rotina e bem aproveitado. No deslocamento ativo, por exemplo, você ainda pode se exercitar”, comenta.

Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, acredita que é preciso incentivar a experiência para que mais pessoas troquem os transportes mais utilizados pelos ativos. “É importante a população testar outras possibilidades e ser flexível quando tem alternativas disponíveis. Mas, para isso, o poder público precisa oferecer infraestruturas adequadas. Com diferentes meios disponíveis, é possível utilizá-los de acordo com cada situação”, completa.

Encarando o desafio multimodal

A bacharel em Relações Internacionais Fabiana Bento, aderiu ao desafio multimodal, e acredita que a mobilidade é um dos maiores desafios à sustentabilidade urbana. Para ela, enquanto a opção pelo carro - durante grande parte do século passado - parecia ser a mais acertada, o cotidiano dos centros urbanos, hoje, demanda inovação.

Durante a semana multimodal, Fabiana teve a oportunidade de comparar diversas maneiras de se locomover por São Paulo de forma sistematizada, o que a fez pensar sobre mobilidade, sua relação com a cidade e a sensação de pertencimento a ela. “Redescobrir a cidade por meio da bicicleta, do caminhar e do compartilhamento de caminhos (caronas) foi enriquecedor. Trouxe novos olhares, novas cores e novas texturas. Comprovei que o automóvel não era a melhor opção, tanto financeiramente quanto pelo tempo de deslocamento”, destaca.

Fabiana ressalta que, ao longo da experiência, encontrou algumas dificuldades que deixaram evidentes problemas que colocam em risco o deslocamento, ou ainda podem chegar a impedi-lo. “No caso de deficientes físicos é perceptível a falta de preparo e de acolhimento da cidade. Há obstáculos em calçadas (raízes de arvore, azulejos, buracos), faltam calçadas em alguns trechos ou as calçadas são estreitas, falta sinalização nas vias e há muitos buracos, o que prejudica o deslocamento de bicicleta, além de pontos de ônibus mal sinalizados a respeito de horários e linhas”, explica. Ainda assim, para ela, a bicicleta e o ônibus provaram ser alternativas eficazes e satisfatórias.


As principais formas de locomoção adotadas por ela por causa do desafio foram ônibus, carona e caminhada. “A percepção da cidade e dos lugares ao pedalar é completamente diferente. Os detalhes tornam-se muito mais claros e a interação com o caminho e as pessoas que se encontram nele é muito maior. A caminhada, por sua vez, colabora para o bem-estar pós-expediente. Já a carona é capaz de criar interações ricas e de certa forma é excelente para otimizar a utilização do automóvel”, descreve Fabiana, que acrescenta que a qualidade de vida está intimamente ligada à forma de relacionamento com o cotidiano e que a mobilidade sustentável – conceito que abrange o trânsito de pessoas na busca por equilíbrio entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e justiça social – é garantia de bem-estar.

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